Se a situação do Bahia não está nada bem em campo, fora dele parece que as coisas vão esquentar nas próximas semanas. Na tarde desta quinta-feira (27), dois advogados baianos Antonio Rodrigues Machado e Marcus Tonnae Silva, protocolaram em Brasilia, na sede da Procuradoria Geral da República uma denúncia contra o atual presidente do Bahia e deputado federal, Marcelo Guimarães Filho.
A acusação é direcionada à possíveis crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e estelionato.Junto com o presidente foram denunciados o gestor de futebol Paulo Angioni, o coordenador das divisões de base Newton Mota e o sócio-proprietário da empresa Calcio Investments in Sports, André Garcia.
De acordo com o documento , a empresa estaria sendo beneficiada com a venda de atletas formados no Bahia.
A assessoria de imprensa de MGF, o presidente prefere não se pronunciar quanto ao caso, entretanto disse entender que a acusação é um direito de qualquer cidadão. Ainda segundo a assessoria, o dirigente do Bahia está tranquilo em relação às denúncias.
Confira uns das principais trechos do documento:
"No Esporte Clube Bahia não existem eleições diretas e as regras para associação são nebulosas e tratadas como uma extensão do patrimônio da já abastada Família Guimarães, há quinze anos no comando do clube e envolvida em diversas investigações na Polícia Federal, a exemplo da Operação Jaleco Branco.
A gestão do Presidente do Esporte Clube Bahia se reveste das mais diversas formas de obscurantismo, mas sua ofensa não fica restrita apenas a não participação dos torcedores no processo político interno. Recentemente, a imprensa trouxe a público uma verdadeira rede de interesses financeiros envolvendo jogadores da base do Esporte Clube Bahia através de uma empresa privada: a CALCIO.
O objeto dessa representação são os reais beneficiários das movimentações financeiras da empresa CALCIO ESPORTES E INVESTIMENTOS LTDA ME, inscrita no CNPJ sob o n° 13.543.880/0001-94.
O endereço da empresa em questão coincide com o da OAS Imóveis, de acordo com nota publicada pela própria construtora em 29 de março de 2009 em seu site. O detalhe é que a OAS é um dos principais patrocinadores do E. C. Bahia desde o início da gestão de Marcelo Guimarães Filho e tem mantido uma série de parcerias com o Deputado Federal, noticiado.
A localização idêntica entre os endereços da empresa CALCIO e a maior patrocinadora do Esporte Clube Bahia não é apenas o único indício da prática de atividades obscuras. Uma das características da referida empresa é a ausência de requisitos formais de existência. Em sua sede oficial, não há qualquer placa de identificação ou funcionários que respondam por suas atividades. É uma empresa com sede inexistente e sem atividades explicitamente regulares, conforme reportagens que serão apresentadas.
Outro traço peculiar da CALCIO é o fato de que seu sócio-proprietário, André Silva Garcia, era um ilustre desconhecido no mercado de futebol da Bahia até o ano de 2011. Delegado da Polícia Civil, o dono da CALCIO tem como grandes atributos empresariais o seu posto de conselheiro do E.C. Bahia e a sua estreita relação de amizade com o Deputado Marcelo Guimarães Filho.
As transferências dos meio-campistas Gabriel e Filipe valeram à Calcio mais de R$ 850 mil. A empresa havia sido fundada em 15 de abril do ano anterior com um investimento inicial declarado de R$ 10 mil.
As matérias jornalísticas apresentadas indicam um suposto sistema organizado de utilização da gestão no Esporte Clube Bahia em proveito pessoal. Em tese, a arregimentação de atletas funcionaria assim: 1. Jogadores ainda crianças ou adolescentes chegam ao Esporte Clube Bahia para fazer parte das categorias de base; 2. Os mais promissores seriam encaminhados pela direção comandada pelo Deputado Federal Marcelo Guimarães Filho para a empresa CALCIO, que passaria a deter uma alta percentagem sobre os direitos econômicos/federativos dos jogadores; 3. Com a venda das promessas, o percentual devido a CALCIO seria repartido entre os “sócios” não formais da empresa.
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